Projeto ainda não passou pelas comissões da Câmara de Pelotas, mas já circula na internet lista com vereadores que supostamente teriam aprovado a proposta
O filme é conhecido: publicação com conteúdo “bombástico”, carregada de indignação, emojis e nenhuma contextualização que se dissemina muito rapidamente por redes sociais e aplicativos de troca de mensagens. Foi o que ocorreu após o Governo Paula Mascarenhas (PSDB) protocolar na Câmara Municipal de Pelotas, no dia 11 de novembro, a mensagem 042/2019. O projeto cria no âmbito municipal a contribuição específica de custeio do serviço de iluminação pública (COSIP), popularmente chamada de “taxa de iluminação”. Cerca de 24 horas após já circulava pela rede uma suposta lista com os nomes dos parlamentares que teriam votado a favor da proposta.
A mensagem que apresenta o nome de quatorze vereadores que teriam votado e aprovado a criação do novo tributo, no entanto, é falsa. E isso pode ser constatado pelo simples fato de que até o momento da publicação desta reportagem (28/11) o projeto sequer passou pelas Comissões Técnicas do legislativo pelotense. É possível comprovar isso visitando o Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL), sítio virtual e oficial da Câmara, onde se pode acompanhar a tramitação da matéria.
Vários parlamentares foram cobrados em suas páginas e perfis em redes sociais por seu suposto apoio à criação do novo tributo. Entretanto apenas dois deles vieram à público desmentir a informação ou manifestar sua opinião contrária ao projeto. O vereador Salvador Ribeiro publicou uma imagem em seu perfil no facebook onde esclarece que a proposta ainda não foi votada. Já Eder Blanck (PDT) foi mais longe: além de também publicar imagem em sua página na rede social, fixou um cartaz na porta do seu gabinete (foto ao lado) manifestando que votará contra a instituição da taxa de iluminação. “Hoje em dia as pessoas postam qualquer coisa nas redes sociais sem nenhuma responsabilidade”, reclamou Eder.
Mas afinal de onde saiu essa lista? As fake news não necessariamente são mentiras completas, por vezes são apenas informações imprecisas ou fora de contexto. Fomos atrás das publicações referentes ao assunto e encontramos uma das prováveis origens do boato. No grupo denominado Pelotas 24 horas, ao olhar a enquete que perguntava se os usuários eram favoráveis ou contrários ao projeto, foi possível identificar vários comentários com um print da página “Pelotas - Notícias” como sendo o resultado da votação. Na imagem estavam os nomes dos mesmos quatorze parlamentares e a legenda “confira a lista dos vereadores que foram a favor da privatização”.
A lista referia-se na verdade aos votos no Programa de Parcerias de Pelotas (Proppel), aprovado em 17 de setembro. O projeto regulamentou as chamadas PPP’s (parcerias público-privadas) no município. A confusão é porque, de fato, o Proppel passou a permitir que o serviço de manutenção e instalação da iluminação e pública pudesse ser feito através de PPP. Logo novos prints surgiram com uma adaptação no enunciado: além de “Confira a lista de vereadores que votaram a favor da privatização” foi acrescentado o termo “taxa de iluminação”, como se estes fossem sinônimos.
Conclusão:
A lista divulgada nas redes sociais é falsa, o que pode ser facilmente comprovado pois o projeto que cria em Pelotas a Taxa de Iluminação sequer foi votado até o momento. Trata-se de uma confusão entre os próprios usuários das redes sociais com a votação para implantação do Proppel realizada em setembro deste ano.
Esse tipo de confusão propiciada pelos usuários das redes, apesar de comum, cria uma série de problemas. No caso específico apurado nesta reportagem, além de prejudicar a imagem de agentes políticos injustamente, a fake news resultou na desmobilização até mesmo de pessoas preocupadas em impedir a aprovação do projeto.
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